Sequestro, fuga ao Paraguai e rastreador: entenda como bebê de MS foi encontrada

g1 em 1 minuto Mato Grosso do Sul: O que se sabe sobre sequestro de recém-nascida A recém-nascida Ayla Emanuelly, de menos de um mês, foi encontrada com vida...

Sequestro, fuga ao Paraguai e rastreador: entenda como bebê de MS foi encontrada
Sequestro, fuga ao Paraguai e rastreador: entenda como bebê de MS foi encontrada (Foto: Reprodução)

g1 em 1 minuto Mato Grosso do Sul: O que se sabe sobre sequestro de recém-nascida A recém-nascida Ayla Emanuelly, de menos de um mês, foi encontrada com vida no Paraguai após passar mais de 48 horas desaparecida em Campo Grande. Até o momento, três pessoas estão presas por suspeita de envolvimento no caso: um homem preso em Campo Grande e um casal localizado com a bebê em Pedro Juan Caballero, no Paraguai. A criança desapareceu na quinta-feira (6), depois que a mãe, uma adolescente de 17 anos, foi atraída para uma casa com a promessa de receber R$ 100 para cuidar da filha de uma mulher que havia conhecido pela internet. Segundo o relato da jovem à polícia, ela foi ameaçada e obrigada a entregar a bebê. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp As investigações apontaram que Ayla poderia ter sido levada para o Paraguai. O rastreamento de celulares e o cruzamento de informações ajudaram os investigadores a chegar até o imóvel onde a menina estava. A bebê foi encontrada na madrugada de domingo (9), em Pedro Juan Caballero. Ela passou por atendimento médico e depois foi repatriada para o Brasil. Atualmente, está sob os cuidados do Conselho Tutelar de Ponta Porã (MS). Veja o que se sabe sobre o caso: Como Ayla desapareceu? Como a polícia descobriu que ela poderia estar no Paraguai? Como os celulares ajudaram a encontrar a bebê? Como Ayla foi encontrada? Quem são os três presos? O que aconteceu com a família? Quem participou das buscas? O que ainda falta esclarecer? Como Ayla desapareceu? Bebê foi entregue ao Conselho Tutelar de Ponta Porã (MS) Divulgação Segundo o relato da mãe à Polícia Militar, ela conheceu uma mulher em um grupo de venda de roupas infantis. A mulher teria oferecido R$ 100 para que a adolescente cuidasse da filha dela. A jovem aceitou a proposta e foi até uma casa no Bairro Universitário, em Campo Grande, na quinta-feira (6). Ela estava acompanhada da irmã, de 12 anos, e de Ayla. Segundo o depoimento, a mulher ofereceu água às três. A mãe contou que não dormiu após beber, mas a irmã adormeceu e só acordou por volta das 20h. Ainda conforme o relato, a adolescente foi ameaçada e obrigada a entregar a filha. Ela afirmou ter ouvido que, caso se recusasse, ela e a irmã seriam "jogadas em um buraco". A bebê foi retirada da casa. As duas irmãs deixaram o local por volta de 1h da madrugada de sexta-feira (7). O celular da mãe também foi levado. Segundo a adolescente, havia cerca de 10 homens na residência, além da mulher que havia feito a proposta. Como a polícia descobriu que ela poderia estar no Paraguai? Após o registro do desaparecimento, investigadores da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) começaram a levantar informações para identificar os envolvidos e descobrir para onde Ayla havia sido levada. Durante as diligências, surgiram indícios de que a bebê poderia ter sido retirada do Brasil e levada para o Paraguai. A Polícia Civil de Ponta Porã foi acionada pela Depca e passou a trabalhar em conjunto com as autoridades do país vizinho. As informações reunidas pelos investigadores brasileiros foram compartilhadas com o Comando Bipartito, estrutura que integra forças de segurança do Brasil e do Paraguai. Na sexta-feira (7), o Ministério da Justiça também emitiu um alerta pelo Amber Alert Brasil, utilizado em casos de desaparecimento de crianças quando há suspeita de rapto ou sequestro. Foi a primeira vez que a ferramenta foi usada em Mato Grosso do Sul. Como os celulares ajudaram a encontrar a bebê? O rastreamento dos celulares dos suspeitos foi uma das principais ferramentas utilizadas pelos investigadores para avançar nas buscas. A polícia fez levantamentos, cruzou dados e acompanhou informações que ajudaram a indicar que os envolvidos poderiam ter seguido para o Paraguai. Com os dados obtidos durante a investigação, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul acionou as autoridades paraguaias. A partir da troca de informações entre os dois países, equipes especializadas conseguiram chegar até o endereço onde havia suspeita de que Ayla estivesse. O trabalho envolveu policiais brasileiros e paraguaios, que passaram a atuar de forma integrada na tentativa de localizar a criança e prender os envolvidos. Como Ayla foi encontrada? Por volta de 1h15 de domingo (9), equipes do Comando Bipartito de Pedro Juan Caballero, com apoio do Grupo Antissequestro (DAS), da Direção de Polícia do Amambay e de operadores táticos, cumpriram um mandado de busca em uma residência na cidade paraguaia. Ayla foi encontrada dentro do imóvel, acompanhada de um casal de brasileiros. Os policiais apreenderam celulares, documentos e um veículo. Os materiais serão analisados pela investigação e podem ajudar a reconstruir o trajeto feito pela criança e identificar outros envolvidos. Depois do resgate, Ayla foi levada ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero para avaliação médica. Segundo as autoridades, ela estava bem. Na sequência, a bebê foi repatriada para o Brasil e entregue ao Conselho Tutelar de Ponta Porã, onde permanece sob proteção. Quem são os três presos? O primeiro suspeito foi preso em Campo Grande, no sábado (8). Segundo a polícia, ele teria emprestado a casa onde a bebê foi levada e que teria sido usada como cativeiro. A prisão preventiva dele foi decretada durante audiência de custódia no domingo (9). A defesa, representada pelos advogados Renan Vieira e Dendry Rios, informou ao g1 que está tomando conhecimento dos detalhes do caso e pretende demonstrar que o cliente não tem relação direta com os fatos atribuídos a ele. Os outros dois suspeitos foram presos no Paraguai, no domingo (9), quando Ayla foi encontrada. São Alex Melo de Abreu e Suzilaine da Graça Costa, que estavam na residência onde a bebê foi localizada. Segundo as autoridades paraguaias, Alex era foragido da Justiça do Amazonas. Ele foi condenado a 11 anos e 6 meses de prisão, em regime fechado, por um homicídio cometido no estado. Ainda conforme as autoridades paraguaias, durante a abordagem Alex apresentou uma identidade falsa e teria usado o nome de Weliton Aparecido Lopes dos Santos. Suzilaine também foi presa no imóvel. Os dois foram custodiados em Ponta Porã e estão a caminho de Campo Grande para os procedimentos da investigação. O g1 não localizou as defesas de Alex e Suzilaine. O que aconteceu com a família? Quarto montado para bebê Ayla José Aparecido Ayla permanece sob os cuidados do Conselho Tutelar de Ponta Porã. Segundo o órgão, a criança está bem, saudável e em segurança. A família deverá receber atendimento psicossocial da rede de proteção. O acompanhamento deve ajudar a mãe e os demais familiares após o desaparecimento e o resgate da criança. Durante o período em que Ayla estava desaparecida, parentes se reuniram na casa da família para dar apoio à mãe. A tia da adolescente contou que os familiares viveram momentos de desespero enquanto aguardavam notícias. “A casa começou a ficar cheia, vinha a família aqui pra dar uma força, um apoio pra gente, né, dar um conforto pra gente conversar com a gente, pra gente ficar mais calma, mas mesmo assim a gente ficou muito desesperada”, relatou. A família soube que Ayla havia sido encontrada por meio de jornalistas, no domingo. A notícia trouxe alívio aos parentes, que agora aguardam o reencontro da bebê com a mãe. Quem participou das buscas? A investigação em Mato Grosso do Sul é conduzida pela Depca, com apoio do Grupo Armado de Repressão a Roubos, Assaltos e Sequestros (Garras), da Delegacia Especializada de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos (Defurv) e da Delegacia Regional de Ponta Porã. Depois que surgiram indícios de que Ayla poderia estar no Paraguai, as informações foram compartilhadas com as forças de segurança do país vizinho. No Paraguai, participaram da operação o Comando Bipartito de Pedro Juan Caballero, o Grupo Antissequestro (DAS), a Direção de Polícia do Amambay e outras unidades da Polícia Nacional paraguaia. A ação também contou com apoio de agentes do Consulado Americano em São Paulo. O que ainda falta esclarecer? Apesar de Ayla ter sido localizada e três suspeitos terem sido presos, a investigação ainda tenta esclarecer toda a dinâmica do crime. A polícia precisa descobrir quem planejou a ação, qual foi a participação de cada um dos envolvidos, quem ajudou a retirar a bebê de Campo Grande e como ela foi transportada até o Paraguai. Também será investigado se outras pessoas participaram do esquema. Os celulares, documentos e o veículo apreendidos na casa em Pedro Juan Caballero devem passar por análise. O material pode ajudar a identificar novos envolvidos, reconstruir o trajeto da bebê e esclarecer como a ação foi organizada. Os suspeitos também deverão ser ouvidos pelos investigadores. A investigação continua. A bebê foi encontrada no imóvel, onde estava com um casal de brasileiros. Os dois foram presos. Reprodução/ Polícia do Paraguai Veja vídeos de Mato Grosso do Sul: