Polícia descarta suicídio e conclui que cardiologista foi autor de feminicídio de esposa em MS
g1 em 1 minuto Mato Grosso do Sul: laudo descarta hipótese de suicídio de fisioterapeuta A Polícia Civil concluiu nesta segunda-feira (17) que a fisioterapeu...
g1 em 1 minuto Mato Grosso do Sul: laudo descarta hipótese de suicídio de fisioterapeuta A Polícia Civil concluiu nesta segunda-feira (17) que a fisioterapeuta Fabiola Marcotti, de 51 anos, foi vítima de feminicídio em Campo Grande. A morte aconteceu em 18 de maio. O principal suspeito é o médico cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, preso preventivamente na tarde de sexta-feira (14). Segundo a polícia, a investigação foi conduzida pela 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (1ª DEAM). As apurações afastaram a hipótese de suicídio e apontaram que Fabiola foi vítima de violência doméstica e familiar. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Em nota ao g1, o advogado José Belga Trad, que defende o médico, afirmou que o direito de defesa será exercido durante o processo judicial. Segundo ele, João Jazbik mantém sua versão dos fatos e lamenta a exploração sensacionalista do caso. A íntegra da nota está no fim da reportagem. Fabíola Marcotti foi encontra morta dentro de casa em maio deste ano, em Campo Grande. Redes sociais/Reprodução Conforme a polícia, a prisão preventiva foi determinada pelo juiz Aluizio Pereira dos Santos, titular da 2ª Vara do Tribunal do Júri, após a conclusão das perícias técnicas. Laudos do Instituto de Criminalística e do Instituto Médico Legal reuniram elementos que, segundo a investigação, comprovaram o feminicídio. Durante a investigação, a polícia ouviu testemunhas e analisou dados de celulares apreendidos. Segundo a polícia, essas informações ajudaram a esclarecer as circunstâncias da morte e a afastar a hipótese de suicídio. Com as diligências concluídas, o inquérito policial será encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público. Os órgãos vão analisar o caso e decidir sobre o oferecimento da denúncia contra o investigado. LEIA TAMBÉM: Cardiologista é preso após polícia encontrar armas sem documentação em casa onde esposa foi encontrada morta Polícia aponta divergências e abre inquérito para investigar morte de esposa de cardiologista Justiça mantém prisão de médico investigado em morte de fisioterapeuta Relembre o caso O médico foi preso no dia 18 de maio, após a polícia encontrar armas sem documentação na casa dele, na região da Chácara dos Poderes. Os agentes foram ao local depois da morte de Fabíola. Segundo apuração do g1, a fisioterapeuta foi atingida por um tiro na cabeça dentro da residência. João acionou a polícia e afirmou que a esposa teria tirado a própria vida. No dia seguinte a prisão, a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) informou ter encontrado divergências nos depoimentos do médico, de testemunhas e de outros envolvidos. Diante disso, a polícia abriu um inquérito para investigar se a morte foi causada por suicídio ou feminicídio. A investigação apontou que o médico teria pedido ao caseiro e a um ex-funcionário que transferissem um armário com armas e munições para outro imóvel da propriedade. Para a polícia, a conduta configura fraude processual. Os três foram autuados em flagrante. O delegado também informou que uma perícia preliminar indicou que a lesão na cabeça da vítima não seria compatível com a versão apresentada pelo médico. Prisão em maio João Jazbik chegou a ser preso após o crime, mas foi solto, no dia 23 de maio, com tornozeleira, após a Justiça conceder um habeas corpus solicitado pela defesa. À época, João Jazbik foi preso por fraude processual e posse irregular de arma de fogo após a morte da esposa. Ele nega envolvimento com a morte da fisioterapeuta. O que diz a defesa do médico "O inquérito policial é um procedimento inquisitivo, o que significa dizer que não há contraditório, nem exercício do direito de defesa, nessa fase processual. O processo se inicia em juízo com eventual recebimento da denúncia, quando então se abrirá prazo para o oferecimento de Resposta à Acusação, com oportunidade para a defesa apontar as nulidades processuais e requerer a produção de prova e contraprova. A defesa informa, por fim, que o dr. João Jazbik se mantém firme na sua versão e lamenta todo tipo de exploração enviesada e sensacionalista da tragédia". O diz a família de Fabíola "A manifestação da defesa procura transmitir a impressão de que, por se tratar de inquérito policial e ainda não haver contraditório pleno, as conclusões da investigação não poderiam produzir consequências jurídicas antes do eventual recebimento da denúncia. Essa afirmação precisa ser colocada em seu devido contexto. O próprio Código de Processo Penal é expresso ao estabelecer, em seu artigo 311, que a prisão preventiva pode ser decretada em qualquer fase da investigação policial ou do processo penal, mediante decisão judicial e observados os requisitos legais. Portanto, a inexistência de contraditório pleno durante o inquérito não significa ausência de controle jurisdicional, tampouco impede que os elementos produzidos pela investigação fundamentem medidas cautelares. Tanto é assim que o artigo 312 do CPP autoriza a prisão preventiva quando presentes prova da existência do crime, indícios suficientes de autoria e os riscos concretos previstos em lei. Neste caso, não estamos diante de uma simples conclusão unilateral da autoridade policial. Houve uma investigação técnica, produção de laudos periciais, representação da Polícia Civil, manifestação favorável do Ministério Público e, posteriormente, análise pelo Poder Judiciário, que entendeu estarem presentes os requisitos legais e decretou a prisão preventiva. É evidente que o investigado possui direito à ampla defesa e ao contraditório no momento processual adequado, assim como permanece assegurada a presunção de inocência. Mas esses direitos não tornam inexistentes os elementos colhidos durante a investigação, nem impedem a adoção das medidas cautelares expressamente previstas pelo Código de Processo Penal. A família de Fabíola não pretende antecipar julgamento nem substituir o Poder Judiciário. O que se espera é exatamente o contrário: que as provas sejam analisadas pelas instituições competentes e que o devido processo legal seja respeitado. O que não pode ser ignorado é que, após meses de investigação e perícias técnicas, a Polícia Civil afastou a hipótese de suicídio e concluiu oficialmente que Fabíola Marcotti foi vítima de feminicídio. Essa conclusão não decorre de especulação, pressão familiar ou exposição midiática, mas do trabalho técnico realizado pelos órgãos responsáveis pela investigação. Quanto à afirmação de que o investigado permanece firme em sua versão, trata-se do legítimo exercício do direito de defesa. Entretanto, uma versão apresentada por qualquer investigado deve ser confrontada com os elementos objetivos produzidos pela investigação, sobretudo com a prova pericial. E foi justamente a evolução da prova técnica que levou as autoridades a afastarem a hipótese inicialmente apresentada de suicídio. A família continuará respeitando o sigilo dos elementos que ainda não podem ser publicizados, confiando no trabalho da Polícia Civil, do Ministério Público e do Poder Judiciário e buscando uma única coisa: verdade, justiça e respeito à memória de Fabíola". João Jazbik Neto, dentro da sua casa em Campo Grande, e policiais com armas apreendidas. Willian Guedes/TV Morena Veja vídeos de Mato Grosso do Sul