O fruto conhecido como ‘feijão-doce’ que tem polpa fofa, cresce em árvores e se espalha pelas ruas

Ingá, a fruta de polpa branca, adocicada e macia, muito consumida in natura, virou presença constante em MS Mirian Machado, g1 MS Quem caminha por ruas arbori...

O fruto conhecido como ‘feijão-doce’ que tem polpa fofa, cresce em árvores e se espalha pelas ruas
O fruto conhecido como ‘feijão-doce’ que tem polpa fofa, cresce em árvores e se espalha pelas ruas (Foto: Reprodução)

Ingá, a fruta de polpa branca, adocicada e macia, muito consumida in natura, virou presença constante em MS Mirian Machado, g1 MS Quem caminha por ruas arborizadas de Campo Grande ou observa os quintais da cidade já deve ter notado: o ingá está por toda parte. A fruta de polpa branca, adocicada e macia, muito consumida in natura, virou presença constante em casas, calçadas e praças da capital sul-mato-grossense — e isso não é por acaso. Segundo o pesquisador Felipe das Neves Monteiro, da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer), o ingá reúne características que explicam tanto sua abundância quanto sua popularidade no meio urbano. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Uma árvore, várias espécies e muitos nomes O nome “ingá” é usado para identificar diversas espécies do gênero Inga, da família Fabaceae, grupo de árvores nativas da América Tropical e amplamente distribuídas pelo Brasil. As mais conhecidas são o ingá-cipó ou ingá-de-metro (Inga edulis) e o ingá-mirim ou ingá-branco (Inga laurina). Ambas ocorrem naturalmente em biomas como Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica e têm longa história de uso, tanto alimentar quanto ambiental. “São espécies nativas muito versáteis, utilizadas há décadas no sombreamento, na recuperação de áreas degradadas e na arborização urbana”, explica Felipe. O 'feijão-doce' que cresce em árvores Fruto faz parte do grupo de árvores nativas da América Tropical e amplamente distribuídas pelo Brasil Mirian Machado, g1 MS A fruta do ingá chama atenção pelo formato: uma vagem verde alongada que guarda sementes grandes envoltas por uma polpa branca, fibrosa e doce — a parte comestível. De sabor suave e refrescante, ela é tão popular que ganhou apelidos carinhosos, como “feijão-doce” ou “feijão-gelado”. Rica em açúcares naturais, a polpa fornece energia rápida e ainda contém fibras, vitaminas e minerais em pequenas quantidades. Embora não seja considerada uma fruta altamente vitamínica, o valor do ingá está ligado ao consumo de um alimento natural, fresco e tradicional, muito presente na cultura regional. g1 em 1 Minuto Mato Grosso do Sul: saiba mais sobre a fruta seriguela, típica em MS Adaptado ao Cerrado — e à cidade Outro fator que explica a presença maciça do ingá em Campo Grande é sua capacidade de adaptação ao clima do Cerrado. As espécies toleram variações de temperatura, solos de fertilidade média a baixa e até períodos de estiagem moderada, desde que estejam bem estabelecidas. Além disso, o ingá tem um diferencial importante: como leguminosa arbórea, realiza a fixação biológica de nitrogênio, melhorando a qualidade do solo ao seu redor. “Isso é fundamental em áreas urbanas, onde o solo costuma ser compactado, pobre em matéria orgânica e com desequilíbrio nutricional”, destaca o pesquisador da Agraer. Fruta em várias épocas do ano Diferentemente de outras espécies frutíferas, o ingá não segue um calendário rígido. A floração e a frutificação variam conforme a espécie, a região e as condições ambientais. No Cerrado, a produção costuma se concentrar no período chuvoso ou logo após o início das chuvas. Em plantios bem manejados, as árvores começam a produzir frutos entre três e quatro anos, o que também contribui para sua adoção em projetos urbanos. Sombra, biodiversidade e conforto térmico O pé de ingá atinge médio a grande porte, tem copa ampla e densa, oferece sombra eficiente Mirian Machado, g1 MS Do ponto de vista da arborização urbana, o ingá é quase um “pacote completo”. A árvore atinge médio a grande porte, tem copa ampla e densa, oferece sombra eficiente e ajuda a reduzir a temperatura em ruas, parques e praças. Suas flores vistosas e perfumadas, ricas em néctar, atraem abelhas, aves e outros insetos. Além disso, o ingá possui tubos de néctar extraflorais, estruturas que reforçam a presença de polinizadores mesmo fora do período de floração. O resultado é mais biodiversidade em áreas verdes da cidade. Mais que paisagem: alimento e memória afetiva Para Felipe das Neves Monteiro, o ingá é um exemplo claro de como a arborização urbana pode ir além do paisagismo. “Ele conecta planejamento técnico, conservação ambiental e hábitos alimentares regionais”, afirma. No Centro-Oeste, a colheita do ingá diretamente de quintais e calçadas faz parte da memória afetiva de muitas famílias. Ao oferecer frutos acessíveis à população, a árvore ajuda a reconectar as pessoas com alimentos da biodiversidade local. Em Campo Grande, o sucesso do ingá mostra que é possível unir sombra, sabor, sustentabilidade e identidade cultural — tudo em uma única árvore. Veja vídeos de Mato Grosso do Sul: