Mulher de desembargador que soltou chefe do PCC agia em sentenças, revela CNJ

CNJ pede explicações para desembargador que soltou Palermo A esposa do desembargador Divoncir Schereiner Maran, Viviane Alves Gomes de Paula, é citada em rel...

Mulher de desembargador que soltou chefe do PCC agia em sentenças, revela CNJ
Mulher de desembargador que soltou chefe do PCC agia em sentenças, revela CNJ (Foto: Reprodução)

CNJ pede explicações para desembargador que soltou Palermo A esposa do desembargador Divoncir Schereiner Maran, Viviane Alves Gomes de Paula, é citada em relatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que investiga a atuação do magistrado ao soltar Gerson Palermo, em 2020. O traficante que é considerado um dos maiores chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC), estava preso em Campo Grande e fugiu horas depois de ser solto. Ele está foragido há quase seis anos. Segundo o relatório do CNJ, a polícia judiciária encontrou conversas de Viviane com o assessor de gabinete de Divoncir. O documento não detalha se a esposa do desembargador teve participação direta na decisão que resultou na soltura de Palermo. O g1 entrou em contato com a defesa de Divoncir e Viviane, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp O documento aponta que ela agia indevidamente intermediando questões que deveriam ser tratadas entre o magistrado e o assessor. "A companheira do magistrado transmitia ao assessor diretrizes relacionadas aos processos judiciais, a pedido do magistrado", cita o relatório. Em uma das conversas por aplicativo de mensagem analisadas, Viviane envia um documento ao assessor com um pedido: - "Boa tarde. O chefe pediu para dar uma olhada. Se pode ser no virtual", escreve Viviane Minutos depois, o assessor responde afirmando que o processo em questão pode ser julgado no virtual e questiona: - "O que quer que eu faça?", questiona o assessor Na sequência, Viviane responde pedindo para o assessor verificar se é possível "dar provimento ao recurso". De acordo com o CNJ, os pedidos enviados por Viviane ao assessor eram "prática habitual e aparentemente normalizada" e o servidor prestava informações à esposa do magistrado, entre elas, detalhes sobre elaboração de minutas de decisões judiciais e de andamento de processos. LEIA TAMBÉM ENTENDA - A ligação entre o chefe do PCC condenado a 126 anos e o desembargador punido pelo CNJ QUEM É ELE? De sequestro de avião a chefe do PCC: quem é Gerson Palermo, condenado a 126 anos e hoje foragido VIU ISSO? Os prints que revelam ‘gambiarra’ de desembargador para soltar chefe do PCC Rendimentos incompatíveis Desembargador Divoncir Maran e a esposa. Redes sociais/Reprodução A compra de um terreno em um condomínio de luxo em Campo Grande com posterior construção de uma "obra milionária", chamou a atenção dos investigadores pela "discrepância de gastos acima de R$3 milhões". Para a Justiça, os altos gastos foram feitos em um curto espaço de tempo, considerando o período entre a compra do terreno e a construção da residência de Divoncir e Viviane. A análise feita no inquérito ressalta que o empreendimento, em área nobre da cidade, seria compatível com a capacidade econômica de um magistrado, contudo, foram identificadas tratativas de Viviane com os prestadores de serviço e a exigência de que os pagamentos a eles fossem feitos somente com dinheiro em espécie. Para os investigadores, o pagamento de dinheiro em espécie "demonstra o intuito do casal de ocultar a origem dos valores utilizados na construção do imóvel, com o objetivo de evitar que os alertas do sistema financeiro sejam acionados por possíveis comunicações de operações suspeitas em sua conta bancária". Punição ao desembargador O desembargador Divoncir Schreiner Maran, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), foi punido com aposentadoria compulsória pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) no dia 10 de fevereiro deste ano. A punição foi aplicada porque o magistrado concedeu prisão domiciliar, em 2020, a Gerson Palermo, condenado a 126 anos por tráfico de drogas. Palermo estava no presídio de segurança máxima de Mato Grosso do Sul. Após conseguir prisão domiciliar por decisão liminar, rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu. Ele segue na lista de procurados do Sistema Único de Segurança Pública. A prisão domiciliar foi concedida durante a pandemia de Covid-19. Na época, o desembargador autorizou que o preso cumprisse pena em casa, sob a justificativa de problemas de saúde. Segundo o CNJ, porém, não havia laudo médico que comprovasse a condição alegada. O caso foi analisado em um Processo Administrativo Disciplinar (PAD). Divoncir Maran concedeu liberdade a Gerson Palermo durante plantão do feriado de Tiradentes, em 2020. Reprodução Veja vídeos de Mato Grosso do Sul: