Justiça manda prefeitura criar abrigo público para animais em Campo Grande
Entre 2020 e 2022, mais de 2,8 mil cães e gatos em MS estavam abrigados em ONGs e abrigos independentes Divulgação A Justiça determinou que a Prefeitura de...
Entre 2020 e 2022, mais de 2,8 mil cães e gatos em MS estavam abrigados em ONGs e abrigos independentes Divulgação A Justiça determinou que a Prefeitura de Campo Grande crie um abrigo público para receber cães, gatos e outros animais vítimas de abandono e maus-tratos. A decisão atende a um pedido feito pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que apontou omissão do município na criação de políticas públicas voltadas à proteção animal. A sentença é do juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos. Pela decisão, a prefeitura tem prazo de 180 dias para implantar um Centro de Acolhimento Provisório e Adoção de Animais. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Falta de estrutura pública Segundo o MPMS, dados da Polícia Militar, da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Ambientais (Decat) e da Comissão de Defesa dos Direitos Animais da OAB/MS mostram que milhares de animais foram resgatados nos últimos anos em situações de abandono e maus-tratos, sem que houvesse um local público adequado para recebê-los. Entre 2020 e 2022, mais de 2,8 mil cães e gatos estavam abrigados em ONGs e abrigos independentes. Todos eram mantidos por voluntários, que arcavam com despesas e responsabilidades que, segundo o Ministério Público, deveriam ser do poder público. O que a prefeitura terá que fazer Além da criação do abrigo, a Justiça determinou que o município ofereça: Atendimento veterinário permanente; Alimentação adequada; Espaços separados para os animais, conforme porte e estado de saúde; Higienização regular das instalações; Registro oficial com microchipagem. A decisão também obriga a realização de campanhas periódicas de adoção e ações educativas sobre guarda responsável. Outro ponto é a criação de programas de famílias acolhedoras, como alternativa ao abrigo tradicional. Responsabilidade do poder público Para o MPMS, a decisão reforça que cabe ao município assumir de forma concreta a responsabilidade pela proteção e bem-estar dos animais em situação de rua ou vítimas de maus-tratos. A ação foi conduzida pelas promotoras de Justiça Luz Marina Borges Maciel Pinheiro, da 26ª Promotoria, e Andréia Cristina Peres da Silva, da 42ª Promotoria. Segundo o Ministério Público, a medida representa um avanço na política de bem-estar animal em Campo Grande e busca enfrentar o problema da superpopulação de animais abandonados na cidade. O que diz a prefeitura? Em nota, a Prefeitura de Campo Grande disse que tomou ciência da sentença proferida pela 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos e que está analisando seus termos e impactos. A decisão impõe obrigações com repercussão orçamentária significativa e não prevista, o que exige avaliação técnica e jurídica criteriosa por parte da gestão. Ressalta-se que a matéria ainda comporta recurso, conforme prevê a legislação. O Município reforça que já desenvolve programas e projetos voltados às Organizações da Sociedade Civil (OSCs) e protetores independentes, com oferta de serviços como castração, atendimento médico-veterinário, atendimentos de urgência e emergência, vacinação e distribuição de ração, mantendo apoio contínuo a esses segmentos. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Veja vídeos de Mato Grosso do Sul: