Força Nacional faz patrulhamento em aldeias indígenas de MS após ameaças de envenenamento da água

Governo federal cria força-tarefa para apurar ameaças contra indígenas em MS A Força Nacional de Segurança Pública começou a fazer patrulhamento em três...

Força Nacional faz patrulhamento em aldeias indígenas de MS após ameaças de envenenamento da água
Força Nacional faz patrulhamento em aldeias indígenas de MS após ameaças de envenenamento da água (Foto: Reprodução)

Governo federal cria força-tarefa para apurar ameaças contra indígenas em MS A Força Nacional de Segurança Pública começou a fazer patrulhamento em três comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul após denúncias de ameaças e violência contra os povos Guarani e Kaiowá. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (29) pelo ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena. Segundo o ministro, as equipes estão nas comunidades Sassoró, em Tacuru, Taquapery e Limão Verde. A atuação faz parte de uma força-tarefa do governo federal criada para acompanhar as denúncias, investigar os casos e reforçar a segurança dos indígenas. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Em publicação nas redes sociais, Eloy Terena informou que uma força-tarefa do governo federal está acompanhando a situação diretamente nos territórios. Após ameaça de veneno na água, Força Nacional patrulha aldeias de MS Ministério dos Povos Indígenas A mobilização envolve os ministérios dos Povos Indígenas, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos e da Cidadania. O Ministério da Justiça também solicitou às corregedorias dos estados e do Distrito Federal o envio de denúncias para centralizar as informações e facilitar as investigações. O Ministério dos Povos Indígenas abriu ainda um canal direto para receber relatos de violência contra as comunidades pelo número de WhatsApp (11) 98202-5433. Força Nacional atua em situações de risco Criada em 2004, a Força Nacional de Segurança Pública reúne policiais militares e bombeiros de diferentes estados, selecionados e treinados para atuar em situações de emergência e reforçar a segurança pública. A equipe pode ser enviada a estados e regiões onde há necessidade de reforço policial, inclusive em situações de conflito em terras indígenas. Nesses casos, a atuação busca preservar a ordem pública, evitar o aumento da violência e proteger as comunidades. Ameaça de envenenamento da água em Tacuru Lideranças indígenas denunciam ameaça de envenenamento de água em aldeia de MS A mobilização ocorre após a divulgação de áudios com ameaças contra moradores da Aldeia Sassoró, em Tacuru, no sul de Mato Grosso do Sul. As gravações começaram a circular após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, em grupos de WhatsApp. Em uma das falas atribuídas a um servidor da prefeitura, que não teve o nome divulgado, há referência à possibilidade de colocar veneno na água consumida pelos indígenas. O áudio também contém a expressão: "Tem que matar essas pragas na água", em referência aos moradores da comunidade. O funcionário público foi afastado pela Prefeitura de Tacuru e deverá responder a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD). Segundo o prefeito Rogério Torquetti, o servidor trabalha no setor de infraestrutura, dirigindo caminhão-caçamba, e não atua na distribuição de água do município. O Ministério Público Federal (MPF) acompanha o caso, e a Polícia Federal foi acionada para investigar a origem e a autenticidade das gravações, identificar os envolvidos e verificar se houve prática de crimes. Até o momento, não há comprovação de que a água consumida pelos moradores tenha sido contaminada. Lideranças indígenas cobram responsabilização O cacique Ivan Montiel, liderança da Aldeia Sassoró e vereador de Tacuru, condenou as ameaças e afirmou que a comunidade pretende buscar a responsabilização dos envolvidos nas esferas criminal e cível. Ele também defendeu o direito dos indígenas de escolher livremente seus candidatos nas eleições, sem sofrer ameaças ou discriminação por suas posições políticas. Após a repercussão do caso, o prefeito Rogério Torquetti publicou um vídeo nas redes sociais, gravado na própria comunidade, ao lado de uma moradora. Na ocasião, pediu desculpas pelas falas registradas e afirmou que as declarações teriam ocorrido em um momento de euforia após as eleições. Outras denúncias de violência em MS Além do caso de Tacuru, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) relatou outros episódios de violência contra indígenas em Mato Grosso do Sul após as eleições. Entre as denúncias estão mortes em Naviraí, atropelamentos em Coronel Sapucaia, ameaças de morte e manifestações racistas. A entidade também mencionou suspeitas de envenenamento da água em comunidades de Tacuru e Nioaque. A APIB encaminhou denúncias ao Ministério Público Federal, à Polícia Federal e a órgãos do governo federal. A organização pediu a investigação dos episódios e a adoção de medidas para proteger as comunidades. A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS) afirmou que não procede a informação de ocorrência de genocídio contra povos indígenas no estado. Em nota, informou que as forças de segurança atuam quando acionadas para preservar a ordem pública, prevenir conflitos e garantir a segurança das pessoas envolvidas. Veja vídeos de Mato Grosso do Sul: