Delegado e policiais suspeitos de desviar cocaína apreendida são alvos de operação com 64 mandados em MS
Delegado e policiais suspeitos de desviar cocaína apreendida são alvos de operação em MS O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Gr...
Delegado e policiais suspeitos de desviar cocaína apreendida são alvos de operação em MS O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou nesta quinta-feira (24) a Operação “Infiltrados”, que investiga um esquema de desvio de drogas apreendidas em ocorrências policiais. Ao todo, são cumpridos 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Até o momento, o Gaeco confirmou a prisão de nove policiais civis, dois policiais militares e um policial penal. Os mandados ainda estão em cumprimento, e o número de presos pode aumentar ao longo da operação. Conforme apurado pelo g1, um dos alvos da operação é o delegado Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa, da 6ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande. Anteriormente, ele foi titular da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) e da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras). Em junho deste ano, foi removido do Garras e transferido para a 6ª Delegacia. O advogado do delegado Hoffman, Amilton Ferreira de Almeida, afirmou que o cliente está em Campo Grande, mas disse não saber onde ele está. Segundo o advogado, não há mandado de prisão contra o delegado. Caso exista, afirmou que Hoffman vai se entregar ainda nesta quinta-feira (24). Dois civis presos Até o momento, o g1 apurou que dois civis foram presos: Weslei Benítez e Kayon Lucas Leodoro da Silva, conhecido como “LK”. A defesa de Weslei afirmou que ele é inocente e que ainda busca esclarecer o motivo pelo qual ele é alvo do mandado de prisão. Segundo o advogado, Weslei era amigo próximo de Kayon e, como ele já havia sido preso anteriormente, a relação entre os dois teria motivado a inclusão de Weslei na investigação. A defesa também afirmou que ele não tem relação com os policiais presos na operação. O g1 não localizou a defesa de Kayon. Policiais investigados se aproveitavam das funções públicas As investigações começaram em outubro de 2025, a partir de provas descobertas durante as Operações Traquetos e Blindspot, também do Gaeco. Segundo o Ministério Público, as apurações apontaram a participação de policiais em um esquema de desvio de drogas, principalmente cocaína. De acordo com o MPMS, os policiais investigados se aproveitavam das funções públicas para desviar drogas apreendidas em ocorrências. Segundo a investigação, o esquema ocorria de duas formas: pela omissão de parte dos entorpecentes nos registros oficiais ou pela retirada da droga diretamente dos depósitos das delegacias. A droga desviada, segundo a investigação, era repassada a traficantes ligados à organização criminosa, que a colocavam novamente no mercado ilegal. A operação tem apoio das corregedorias das polícias Civil e Militar, do Batalhão de Choque, do Bope e da Polícia Institucional do Ministério Público Federal. A Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB/MS) também acompanha as diligências na residência de uma advogada. O nome da operação, “Infiltrados”, faz referência, segundo o MPMS, à presença de integrantes da organização criminosa em órgãos de segurança pública e ao uso de funções e estruturas destinadas ao combate ao crime para a prática dos delitos investigados. Mandados são cumpridos na manhã desta quinta-feira (24). Fabio Rodrigues Veja vídeos de Mato Grosso do Sul: