Da direita à esquerda: como oposição se articula para enfrentar Riedel em MS
Candidatos ao governo de Mato Grosso do Sul em 2026. Reprodução A oposição a Eduardo Riedel (PP) chega às eleições de 2026 dividida, mas com uma das prin...
Candidatos ao governo de Mato Grosso do Sul em 2026. Reprodução A oposição a Eduardo Riedel (PP) chega às eleições de 2026 dividida, mas com uma das principais articulações concentrada em torno de Fábio Trad (PT). PT, PV, PCdoB, PSB e PDT construíram uma frente para a disputa pelo governo e pelo Senado, enquanto outras legendas oposicionistas mantêm candidaturas próprias. A composição também reúne trajetórias políticas que estavam em campos diferentes nas últimas eleições. É o caso da senadora Soraya Thronicke (PSB), eleita em 2018 na onda do bolsonarismo e que agora integra uma chapa apoiada pelo PT e declarou apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Além da frente liderada pelo PT, outras candidaturas se apresentam como alternativas ao governo Riedel. São: PSOL, PCO, PRD, Novo, Agir e Democracia Cristã (DC). Oposições em vários espectros políticos O cientista político e professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Daniel Miranda, explica que a principal frente oposicionista foi formada pela Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB), que lançou o ex-deputado federal Fábio Trad (PT) para o governo. Para o Senado, o grupo apoia duas candidaturas: a do deputado federal Vander Loubet (PT) e a da senadora Soraya Thronicke (PSB), que busca a reeleição. O PDT também decidiu integrar a composição e oficializou apoio a Fábio Trad durante a convenção estadual. Apesar da articulação, a oposição não está unificada. PSOL, PCO, Novo, Agir e Democracia Cristã (DC) mantiveram candidaturas próprias ao governo. A divisão não significa falta necessariamente de diálogo. Os partidos também têm estratégias próprias para a disputa proporcional, que definirá as bancadas de deputados estaduais e federais. Do outro lado, a base governista foi consolidada em torno da candidatura à reeleição de Eduardo Riedel (PP), apoiado pela Federação União Progressista e por partidos como PL, Republicanos, MDB, Avante e Federação PSDB/Cidadania. Para o cientista político Daniel Miranda, professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), a centro-esquerda chega mais organizada ao processo eleitoral deste ano em comparação com disputas anteriores. "Em certa medida, é possível dizer que a centro-esquerda está mais organizada. Eles construíram, em Mato Grosso do Sul, uma frente ampla que inclui os Trad e a senadora Soraya. Esses acordos indicam uma alta dose de pragmatismo político para tentar melhorar o desempenho eleitoral", afirma. Oposições: na direita e na esquerda Na disputa pelo governo, os partidos podem formar coligações majoritárias, mas cada legenda mantém sua estratégia para as eleições proporcionais, nas quais estarão em disputa as vagas de deputado estadual e federal. Nessa etapa, os votos são contabilizados para o partido ou federação e ajudam a definir o número de cadeiras que terá cada grupo. Por isso, uma candidatura própria ao governo pode fazer parte de uma estratégia mais ampla de um partido para se apresentar ao eleitor, fortalecer sua marca e ampliar sua votação, como explica Daniel Miranda. A legenda também pode buscar uma chapa competitiva para deputado e preservar espaço para suas próprias pautas e candidatos. Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB) e os partidos PSB e PDT encontraram convergência para apoiar Fábio Trad, enquanto outras legendas preferiram manter candidaturas próprias e disputar o eleitorado com identidade própria. A federação PSOL-Rede lançou Lucien Rezende ao governo e Beto do Movimento ao Senado. O partido defende pautas ligadas à reforma agrária, direitos indígenas, comunidades quilombolas e fortalecimento dos serviços públicos. O PCO apresentou Daniel Lemes como candidato ao governo. Liderança indígena guarani-kaiowá de Amambai, Lemes ganhou projeção em 2024 ao se tornar o primeiro indígena a disputar a prefeitura do município. O partido também lançou Valderi Garcia ao Senado. Pela direita, o Novo oficializou a candidatura do deputado estadual João Henrique Catan, parlamentar que construiu a carreira fazendo oposição ao governo estadual. Filiado ao PL até este ano, Catan ingressou no Novo para disputar o Executivo defendendo pautas liberais na economia e conservadoras nos costumes. O Agir lançou Jefferson Bezerra ao governo e Daniel Júnior ao Senado. Já o Democracia Cristã apresentou Renato Gomes para disputar o Executivo e Luiz Lemes para o Senado. PRD lançou o ex-senador por Mato Grosso do Sul Delcídio Amaral. Para o cientista político Daniel Miranda, essa fragmentação pode ter uma lógica eleitoral. Segundo ele, partidos precisam avaliar não apenas a disputa pelo governo, mas também a formação das bancadas no Legislativo. "Para formar bancada, os partidos precisam atingir o quociente eleitoral. Essa aparente fragmentação pode ser uma estratégia para ampliar a votação do grupo como um todo. Mas, se não houver coordenação e surgirem tensões internas, o resultado pode ser um tiro pela culatra", explica. A mudança de Soraya Thronicke Em 2018, Soraya foi eleita senadora pelo antigo PSL, partido que impulsionou a candidatura do então presidente Jair Bolsonaro. Quatro anos depois, disputou a Presidência da República pelo União Brasil e terminou a eleição em quinto lugar. Durante o atual governo federal, deixou o União Brasil, filiou-se ao Podemos e, em abril deste ano, ingressou no PSB "Soraya é uma incógnita. A única eleição que ela disputou e venceu foi impulsionada pelos votos de Bolsonaro. Se, ao longo dos oito anos de mandato, ela conseguiu construir uma base eleitoral própria, vamos descobrir agora", analisa o cientista político. Do outro lado, Riedel mantém a base governista Enquanto a oposição buscava ampliar alianças, a base governista também passou por mudanças. O senador Nelsinho Trad (PSD) desistiu da tentativa de reeleição e aceitou ser suplente de Reinaldo Azambuja (PL), candidato ao Senado na chapa de Eduardo Riedel. Segundo Nelsinho, a decisão foi tomada em acordo com a direção nacional do PSD e faz parte de uma estratégia para fortalecer a aliança construída entre os partidos. Além de Reinaldo, a chapa governista também lançou o ex-deputado estadual Capitão Contar (PL) ao Senado. Contar disputou o Governo do Estado em 2022 e foi derrotado por Riedel no segundo turno. Veja vídeos de Mato Grosso do Sul: