Comparsa de policiais no desvio de drogas foi preso com a mãe, esposa e as irmãs

Delegado e policiais suspeitos de desviar cocaína apreendida são alvos de operação em MS Entre os presos nesta quinta-feira (24), durante a operação que i...

Comparsa de policiais no desvio de drogas foi preso com a mãe, esposa e as irmãs
Comparsa de policiais no desvio de drogas foi preso com a mãe, esposa e as irmãs (Foto: Reprodução)

Delegado e policiais suspeitos de desviar cocaína apreendida são alvos de operação em MS Entre os presos nesta quinta-feira (24), durante a operação que investiga um esquema de desvio de drogas apreendidas em ocorrências policiais, estão familiares de Lucas da Silva dos Santos, conhecido como “LK”. Delegado e policiais suspeitos de desviar cocaína apreendida são alvos de operação com 64 mandados em MS ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp O g1 apurou que "LK" integrava o esquema de desvio de drogas apreendidas, atuando como comparsa dos policiais. A força-tarefa deflagrada nesta quinta-feira (24) prendeu Valdenice da Silva Góis, mãe de "LK"; Ana Carolina da Silva, irmã dele; outra irmã, que é advogada e ainda não teve o nome divulgado; e a esposa de "LK", cuja identidade também não foi confirmada. Até o momento, a polícia não divulgou qual seria o envolvimento das mulheres no esquema investigado. Entre maio e junho de 2025, junto a um policial penal e dois policiais militares, "LK" teria participado do monitoramento de um depósito de drogas com o objetivo de realizar a apreensão e, em seguida, comercializar a droga. Policiais presos Ao menos nove policiais que estavam na ativa foram presos nesta quinta-feira. Entre os agentes com prisão confirmada estão Douglas Tobias, Neverson Vieira de Araújo, Nilton César Sales dos Santos e Augusto Torres Galvão Florindo. Outros dois policiais, identificados inicialmente apenas como Nelson e Luiz, também foram presos. Outros três policiais são alvos de mandados de prisão que ainda não foram cumpridos e devem se apresentar nesta tarde, conforme o Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol). Delegado da Polícia Civil, Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa. Adepol MS Entre os procurados está o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa e o policial Roberto Palmeira da Silva. A operação também resultou na prisão de outros três civis: Heberti Barbosa, Weslei Benítez e Kayon Lucas Leodoro da Silva. O envolvimento deles com o caso também não foi revelado. A defesa de Weslei afirmou que ele é inocente e que ainda busca esclarecer o motivo pelo qual ele é alvo do mandado de prisão. Segundo o advogado, Weslei era amigo próximo de Kayon e, como ele já havia sido preso anteriormente, a relação entre os dois teria motivado a inclusão de Weslei na investigação. A defesa também afirmou que ele não tem relação com os policiais presos na operação. A defesa de Heberti afirmou que ainda não teve acesso aos documentos do caso e não sabe detalhes sobre a investigação. O g1 não conseguiu contato com a defesa de Kayon. "Infiltrados" A força-tarefa da operação desta quinta-feira, batizada de "Infiltrados", saiu as ruas para cumprir 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos. Até o momento, o Gaeco confirmou a prisão de nove policiais civis, dois policiais militares e um policial penal. Os mandados ainda estão em cumprimento, e o número de presos pode aumentar ao longo da operação. Viatura em frente a um dos endereços dos investigados. Gabi Cenciarelli. Nome mais conhecido entre os alvos, Hoffman foi titular da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) e da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras). Em junho deste ano, foi removido do Garras e transferido para a 6ª Delegacia. O advogado do delegado Hoffman, Amilton Ferreira de Almeida, afirmou que o cliente está em Campo Grande e que tomou ciência da operação por familiares. Ele confirmou que o cliente não estava em casa durante o cumprimento dos mandados na residência. Policiais investigados se aproveitavam das funções públicas As investigações começaram em outubro de 2025, a partir de provas descobertas durante as Operações Traquetos e Blindspot, também do Gaeco. Segundo o Ministério Público, as apurações apontaram a participação de policiais em um esquema de desvio de drogas, principalmente cocaína. De acordo com o MPMS, os policiais investigados se aproveitavam das funções públicas para desviar drogas apreendidas em ocorrências. Segundo a investigação, o esquema ocorria de duas formas: pela omissão de parte dos entorpecentes nos registros oficiais ou pela retirada da droga diretamente dos depósitos das delegacias. A droga desviada, segundo a investigação, era repassada a traficantes ligados à organização criminosa, que a colocavam novamente no mercado ilegal. Em nota, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) afirmou que os servidores das forças de segurança já eram investigados pelas corregedorias por tráfico de drogas e outros crimes. Segundo a secretaria, três deles já haviam sido presos anteriormente e um foi exonerado recentemente, mas os nomes não foram informados. Veja a nota na íntegra ao final da reportagem. A operação tem apoio das corregedorias das polícias Civil e Militar, do Batalhão de Choque, do Bope e da Polícia Institucional do Ministério Público Federal. A Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB/MS) também acompanha as diligências na residência de uma advogada. O nome da operação, “Infiltrados”, faz referência, segundo o MPMS, à presença de integrantes da organização criminosa em órgãos de segurança pública e ao uso de funções e estruturas destinadas ao combate ao crime para a prática dos delitos investigados. O que diz a Sejusp "A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informa que a Operação “Infiltrados”, deflagrada nesta quinta-feira (24) pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) juntamente com as Corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Militar visa o cumprimento de mandados de busca e apreensão e prisão de investigados por tráfico de drogas e outros crimes. A operação envolve servidores das forças de segurança pública que já eram investigados pelas respectivas Corregedorias, sendo que três deles já haviam sido presos anteriormente e um inclusive exonerado recentemente. A Sejusp e as forças de segurança de Mato Grosso do Sul não compactuam com qualquer desvio de conduta ou prática ilícita por parte de seus integrantes. Eventuais desvios serão apurados com rigor, observando a legislação vigente, o devido processo legal e as garantias individuais dos investigados. A Secretaria reafirma seu compromisso com a legalidade, a máxima transparência e o fortalecimento dos mecanismos de controle e correição das instituições que a integram." Veja mais vídeos de Mato Grosso do Sul: