A família de araras-vermelhas que escolheu a capital mais arborizada para fazer ninho pela 1ª vez
Arara-vermelha no primeiro ninho da espécie registrado em Campo Grande. Instituto Arara Azul. Campo Grande acaba de registrar um marco que faz jus ao título d...
Arara-vermelha no primeiro ninho da espécie registrado em Campo Grande. Instituto Arara Azul. Campo Grande acaba de registrar um marco que faz jus ao título de “Capital das Araras”. Pela primeira vez, a cidade tem um ninho de arara-vermelha documentado em área urbana. A “casa” da família de aves fica em uma palmeira e é monitorada desde junho deste ano pelo Projeto Aves Urbanas – Araras na Cidade, do Instituto Arara Azul. Os pesquisadores também contam com a colaboração dos moradores na proteção das araras e seus filhotes. As araras foram avistadas pela primeira vez pela policial militar ambiental Michaela Coelho, que logo comunicou o registro à coordenadora de campo do projeto na capital, a bióloga Larissa Tinoco. Desde então, a equipe realizou 13 visitas ao ninho para acompanhar o desenvolvimento das aves. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp 🔎Campo Grande é oficialmente reconhecida como a “Capital das Araras”, título instituído pela Lei Municipal nº 6.567, sancionada em março de 2021. Durante o monitoramento, os filhotes foram identificados com anilhas, dispositivos colocados nas patas que permitem acompanhar os animais ao longo da vida e obter informações como origem, ninho e ano de nascimento. Arara-vermelha na "janela" feita no ninho por pesquisadores. Instituto Arara Azul. “O anilhamento permite identificar esse indivíduo, saber de onde ele veio, de qual ninho e o ano de nascimento. Por exemplo, no sábado, o ninho caiu. O segundo filhote estava dentro dele, e a PMA foi verificar se havia algum animal no local. Ele tentou voar, caiu e, como estava anilhado, os policiais entraram em contato com a gente para informar que era um indivíduo de arara-vermelha identificado”, explica Larissa Tinoco. Após o anilhamento, o primeiro filhote, mais velho e já bem desenvolvido, deixou o ninho e realizou seu primeiro voo. O segundo, porém, ainda permanecia no local. Agora no g1 Susto A situação mudou quando uma forte chuva atingiu Campo Grande e provocou a queda da palmeira onde o ninho estava instalado, com o filhote ainda em seu interior. No dia 24 de outubro, a Polícia Militar Ambiental (PMA) resgatou a ave e a encaminhou ao Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS). Como o filhote estava anilhado, foi possível identificá-lo e entrar em contato com a equipe do Projeto Aves Urbanas – Araras na Cidade. 🔎🔎 Com sede em Campo Grande, o Instituto Arara Azul desenvolve há quase 40 anos pesquisas e ações de educação ambiental voltadas à conservação das araras. Em seguida, os integrantes do projeto buscaram o animal no CRAS e o devolveram ao ninho. Para facilitar o acesso, também fizeram uma abertura lateral na estrutura, como uma espécie de janela. Durante o manejo, os pais permaneceram nas proximidades, acompanhando todo o trabalho. Segundo a equipe, esse comportamento é esperado, já que a espécie não costuma abandonar os filhotes. Casal de araras monitorado pelo projeto. Instituto Arara Azul. Os moradores da região também passaram a contribuir com o monitoramento da família. Ainda aprendendo a voar, o filhote fez diversas tentativas e chegou a cair novamente. Nessas ocasiões, os vizinhos acompanharam a situação e acionaram a equipe do projeto, ajudando a garantir que o animal continuasse sendo monitorado. As araras seguem saudáveis e colorindo o céu da capital. Para a fundadora do Instituto Arara Azul, Neiva Guedes, o registro é especialmente significativo porque a espécie tem comportamento discreto, principalmente na escolha dos locais de reprodução. “É a primeira vez que nós documentamos um ninho de arara-vermelha na cidade de Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, com quase um milhão de habitantes, onde tem um trânsito intenso e também toda a rede de fiação de energia e cabeamento de internet, que acaba sendo um grande problema, o maior causador de morte das grandes araras”, destaca. O registro inédito também chama a atenção para a importância da preservação dos ambientes naturais e da oferta de condições adequadas para a reprodução da espécie. “Para mim, é instinto de sobrevivência. Como o animal não encontrou, no meio rural, ambiente adequado para a reprodução, veio procurar no ambiente urbano. E é isso que aconteceu em Campo Grande, cidade bem arborizada e rica em alimento e locais de reprodução, como as palmeiras”, relata a presidente do Instituto Arara Azul. Veja mais vídeos de Mato Grosso do Sul: